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Entenda a Síndrome Que Está Levando Crianças e Adolescentes a Internações Psiquiátricas

Entenda a síndrome que está levando crianças e adolescentes a internações psiquiátricas

Burnout digital não é apenas cansaço excessivo após um dia com o celular na mão. Este é o nome da síndrome que tem levado crianças e adolescentes a quadros de exaustão tão severos que resultam em internação em clínicas psiquiátricas.

A Alemanha inaugurou recentemente uma clínica para crianças e jovens dependentes digitais. Uma equipe multidisciplinar do hospital oferece atividades que deveriam fazer parte do cotidiano, como respirar com calma, olhar nos olhos, dialogar, reconhecer o próprio corpo, se movimentar.  Especialistas em infância relatam que adolescentes em abstinência digital chegam a passam noites sem dormir, choram, gritam, ficam extremamente irritados. E, aos poucos, são capazes de reaprender a conversar, brincar, interagir, durante o processo de desintoxicação digital.

No ano passado,  a Rede Globo exibiu histórias de jovens viciados em telas e o poder desse vício sobre eles. Uma delas era a de um garoto de 15 anos que ganhou o primeiro celular aos seis anos de idade dos pais, para que eles pudessem resolver suas tarefas com mais tranquilidade. O pai do adolescente com vício grave mostrou imagens das mais de 40 mordidas que levou do filho durante crises de abstinência de tela.

O que é burnout digital

Embora o termo ainda não conste formalmente em manuais diagnósticos, ele tem sido usado por clínicos e pesquisadores para descrever um estado de exaustão mental, emocional e comportamental relacionado ao uso excessivo e desregulado de telas, redes sociais e mídia online.

No burnout digital, o que começa muitas vezes como diversão ou entretenimento pode evoluir para uma sobrecarga silenciosa: estímulos incessantes, expectativa de resposta imediata a mensagens, comparação social em redes e atividades que competem com sono, interação real e outras experiências essenciais para o desenvolvimento infantil.

Crises de ansiedade paralisantes, agressividade intensa e episódios de automutilação são outros sintomas graves que podem levar crianças e jovens à internação. Um estudo publicado na revista Child Psychiatry and Human Development analisou dados de mais de 1.100 admissões em unidades de psiquiatria pediátrica antes e depois da pandemia de Covid-19. Os pesquisadores identificaram que problemas associados à comunicação online, dificuldades em estabelecer limites e conflitos decorrentes do uso digital foram responsáveis por uma parte significativa dos casos, incluindo aqueles que exigiram internação.

Sinais que podem indicar risco

  • Queda no rendimento escolar
  • Irritabilidade persistente
  • Dificuldade de concentração
  • Isolamento social
  • Insônia
  • Comportamentos compulsivos
  • Explosões emocionais

Esses sintomas podem ser confundidos com outros transtornos, o que dificulta o reconhecimento precoce, mas a combinação deles associada ao uso intenso de tecnologia merece atenção.

O que a ciência mostra

Pesquisas independentes já demonstram a relação entre uso intensivo de mídias digitais e bem-estar psicológico prejudicado. Estudo realizado com quase 14 mil crianças com idades entre 9 e 12 anos e publicado em 2025 pela revista científica Pediatrics indica que crianças que já têm acesso a celulares aos 12 anos apresentam maior risco de ter sintomas depressivos, insônia e obesidade, sobretudo quando não há supervisão de tempo de uso.

Além disso, revisões sistemáticas sobre tempo de tela e saúde mental em adolescentes mostram que uso excessivo está associado a sintomas de ansiedade e depressão, especialmente entre meninas.

O alerta dos especialistas

O pediatra Daniel Becker, referência em saúde infantil, tem sido enfático: “uma criança exposta sem controle ao TikTok está sujeita a prejuízos físicos, mentais, emocionais e sociais seríssimos”, alerta, destacando que quanto mais tempo em redes sociais, maior a probabilidade de sintomas como tristeza e dificuldades de desenvolvimento emocional.

Iniciativas como o Movimento Desconecta, criado por mães preocupadas com a hiperconexão de crianças e adolescentes, também reforçam a necessidade de limites e de reconectar a infância com atividades reais, que valorizem o brincar, a natureza e o convívio presencial para diminuir os riscos à saúde mental.

Como pais e responsáveis podem agir

  • Limitar tempo de tela diário, principalmente à noite
  • Estabelecer rotinas sem dispositivos pelo menos 1 hora antes de dormir
  • Estimular atividades offline como esporte, leitura e brincadeiras ao ar livre
  • Diálogo aberto sobre uso da tecnologia e sentimentos
  • Se os sintomas persistirem mesmo com limites mais rígidos, buscar avaliação de um psicólogo ou pediatra especializado em desenvolvimento infantil pode ser essencial.

Por que este tema importa agora

Em um mundo cada vez mais conectado, crianças e adolescentes estão crescendo com acesso precoce a tecnologias que, se não mediadas, podem impactar o cérebro em desenvolvimento, relacionamentos e regulação emocional. Embora o burnout digital ainda um conceito em construção, já há evidências científicas e casos reais que mostram seu potencial de causar sofrimento profundo quando não há limites e suporte adequado.

FONTE: MSN




NOMOFOBIA: A DOENÇA DIGITAL: Um Guia Prático Para pais, Educadores e Jovens


Seja você pai, educador ou jovem, a nomofobia – o medo de ficar sem o celular – é uma realidade que afeta cada vez mais pessoas. A linha entre o conectado e o viciado está cada vez mais tênue, e os impactos na saúde mental, nos relacionamentos e no desempenho diário são alarmantes.

10 Hábitos Para Evitar o “Brain Rot” e Turbinar o Seu Cérebro

Palavra do ano do Oxford define o apodrecimento cerebral; veja como manter uma rotina saudável e fortalecer a mente


Neurocientistas afirmam que o “brain rot” está se tornando uma tendência que pode comprometer um cérebro inteligente, ágil e pensante. O termo, que, em tradução literal, significa apodrecimento cerebral, foi eleito como palavra do ano de 2024 pela Oxford University Press, editora do dicionário Oxford.

Esse enfraquecimento do cérebro é resultado do hábito de rolar distraidamente (e constantemente) por uma infinidade de memes e conteúdos irrelevantes na internet. O “brain rot” é definido como “a suposta deterioração do estado mental ou intelectual de uma pessoa”, causada pelo “consumo excessivo” de material trivial — especialmente relacionado a informações na internet e outros excessos virtuais.

Se o seu cérebro pudesse falar, ele diria o que precisa para ser feliz e desempenhar seu melhor. Não é possível ter alegria ou sucesso sem o apoio do seu companheiro cerebral. Portanto, é essencial garantir que ele esteja saudável e não se deteriorando.

A neurociência moderna desenvolveu técnicas avançadas para prevenir esse quadro e promover um cérebro saudável.

Veja, a seguir, 10 hábitos baseados na ciência para se proteger do “brain rot” e turbinar o seu cérebro:

1. Novas experiências

O “brain rot” interfere na capacidade do cérebro de se adaptar a situações novas, essenciais para a felicidade e a criatividade. Para evitar isso, mantenha o cérebro em forma. A exposição a novas experiências interrompe padrões de pensamento estabelecidos e consolida novas informações. A novidade promove o aprendizado ao redefinir circuitos cerebrais, permitindo a atualização de novas ideias nos quadros neurológicos existentes. Desafios como quebra-cabeças, leitura ou aprendizado de novas habilidades, além de se expor a experiências diferentes, desaceleram o declínio cognitivo e previnem distúrbios degenerativos.

2. Alimentos que melhoram o humor

Comidas pouco nutritivas e o hábito de comer rapidamente podem levar ao enfraquecimento do cérebro. Alimentos saudáveis melhoram o humor, a saúde e a resistência. Analise o que está no seu prato e questione se contribui para a saúde geral do corpo e do cérebro. Proteínas — como carnes, aves, laticínios, queijos e ovos — estabilizam o açúcar no sangue e fornecem ao cérebro os aminoácidos necessários para criar vias de neurotransmissores. Ácidos graxos e ômega-3, como os encontrados no salmão, atum e sardinhas, colocam seu cérebro em um bom humor. A vitamina B é essencial para a saúde do cérebro e pode ser encontrada em ovos, grãos integrais, peixes, abacates e frutas cítricas. Já a vitamina D é um estabilizador de humor importante.

3. Atividade física

O “brain rot” também pode estar associado ao sedentarismo. O fluxo sanguíneo é um excelente remédio para se manter feliz, saudável e criativo. Exercícios e movimentos regulares aumentam o fluxo sanguíneo para o cérebro e até mesmo retardam a perda de memória e quadros como a demência. Você pode nutrir seu cérebro com o fluxo sanguíneo necessário por meio de atividades como caminhadas, alongamentos e tonificação do corpo, mantendo-o ativo e engajado.

4. Sono adequado

Seu cérebro fica irritado sem o descanso de que precisa. A privação de sono alimenta o “brain rot”, prejudicando sua capacidade de lidar com o estresse do trabalho e, muitas vezes, desencadeando episódios de irritação durante o dia. A privação de sono leva à desaceleração da atividade cerebral, pensamentos desorganizados e lapsos de memória, além de te deixar mais reativo. Por outro lado, o sono adequado restaura a clareza e melhora o desempenho, além de ajudar no gerenciamento do estresse e na criação de pilares para um cérebro mais inteligente.

5. Olhar o todo

Uma perspectiva ampla permite que seu cérebro se concentre nos aspectos positivos da sua carreira e enxergue possibilidades futuras. Pense em uma câmera: você pode substituir a lente “zoom” míope — que foca nos estressores e pode levar ao “brain rot” — por uma lente “grande angular”, que destaca o panorama geral e as possibilidades da vida. Evite ampliar as decepções fora de proporção; procure o lado positivo de uma situação negativa; concentre-se em soluções em vez de problemas; identifique oportunidades nos desafios.

6. Mindfulness

Técnicas de mindfulness, ou atenção plena, são poderosos antídotos contra excessos virtuais desatentos, como jogos imersivos, navegação na internet ou maratonas de séries. Meditação e a respiração profunda consciente ajudam a manter seu cérebro focado e sua atenção afiada. De acordo com um estudo de 2021, a meditação reduz os níveis de cortisol em 25% e altera a atividade cerebral, tornando-o menos propenso a erros após apenas 20 minutos de prática. Com o tempo, seu cérebro se mantém calmo, mesmo em circunstâncias turbulentas. Em quatro passos simples, você pode ativar os circuitos sociais do cérebro e evitar o “brain rot”, conectando-se à vida com uma mente clara:

Mantenha o foco no momento presente;
Movimente-se em um ritmo constante e calmo;
Permaneça atento a si mesmo e ao seu entorno;
Aceite sem julgamento tudo o que surgir em cada momento.

7. Segurança psicológica

Seu cérebro precisa de segurança para funcionar de forma inteligente e focar nas tarefas. Sob medo — como no caso de trabalhar com um chefe autoritário — seu cérebro se concentra em evitar as ameaças e te distrai de produzir e se engajar nas tarefas. O medo e a incerteza prejudicam o bem-estar, o engajamento e o desempenho no trabalho. Culturas organizacionais que promovem segurança psicológica previnem o “brain rot”, aumentam o engajamento cerebral e geram maiores lucros para as empresas a longo prazo.

8. Tempo na natureza

O “tempo verde” compensa o “tempo de tela”. Um estudo com imagens cerebrais de pessoas que passam tempo na natureza mostra que o córtex pré-frontal desses indivíduos possui mais massa cinzenta e uma maior capacidade de pensar com clareza e se autorregular. Seu cérebro adora passar pelo menos duas horas por semana em parques, florestas ou praias. Pessoas que passam 120 minutos por semana na natureza têm melhor saúde e maior bem-estar psicológico do que aquelas que não têm esse contato.

9. Uma coisa de cada vez

O melhor presente que você pode dar ao seu cérebro é a ordem, e não o caos. Em algum momento, você provavelmente precisará realizar várias atividades ao mesmo tempo. Mas não deixe o multitasking virar rotina. Alternar entre várias tarefas obriga o cérebro a mudar o foco rapidamente, reduzindo a produtividade em até 40%. O multitasking prejudica a eficiência, sobrecarrega o cérebro e causa pensamentos fragmentados e fadiga mental.

10. Apoio social

O isolamento pode fomentar o “brain rot”. Ter alguém por perto — um gestor empático, colega de trabalho ou membro do RH — em quem você confia e sabe que te ouvirá está relacionado à saúde cerebral e à resiliência. Pessoas que fazem voluntariado, participam de aulas ou se reúnem com amigos pelo menos uma vez por semana têm cérebros mais saudáveis, com mais massa cinzenta e menos declínio cognitivo. O segredo é cultivar formas seguras de manter interações sociais para aumentar a criatividade e deixar o cérebro saudável.

*Bryan Robinson é colaborador da Forbes US. Ele é autor de 40 livros de não-ficção traduzidos para 15 idiomas. Também é professor emérito da Universidade da Carolina do Norte, onde conduziu os primeiros estudos sobre filhos de workaholics e os efeitos do trabalho no casamento.

FONTE: FORBES






Brain Rot: Como as Redes Sociais Afetam o Cérebro de Crianças e Adolescentes

Seu filho está passando horas nas redes sociais? Cuidado! A exposição excessiva pode estar causando danos irreversíveis ao desenvolvimento do cérebro. Descubra como a dependência digital afeta a atenção, a memória, a autoestima e a saúde mental dos jovens. Este livro te dará as ferramentas para proteger seus filhos dos perigos da era digital.

Brain Rot: A Doença do Século 21

As redes sociais estão transformando nossos cérebros. Mas será que essa transformação é para melhor? Descubra como a obsessão por likes, seguidores e notificações está moldando uma geração de jovens ansiosos, isolados e dependentes. Este livro te mostrará os sinais de alerta e como proteger seus filhos da epidemia digital.

Brain Rot: A Ciência Por Trás da Dependência Digital

Você sabia que as redes sociais podem alterar a estrutura do cérebro? Este livro reúne as últimas pesquisas científicas para explicar como a dependência digital afeta o desenvolvimento cognitivo, emocional e social de crianças e adolescentes. Descubra como os algoritmos manipulam nossos comportamentos e como podemos criar hábitos digitais mais saudáveis.

Brain Rot: Desconecte-se para Conectar-se

A era digital oferece infinitas possibilidades, mas também traz grandes desafios. Este livro te mostrará como encontrar um equilíbrio saudável entre o mundo online e o mundo real. Descubra como proteger seus filhos dos perigos da dependência digital e criar uma família mais conectada e feliz.

Geração Ansiosa: O Efeito Devastador das telas em Crianças e Adolescentes



O Efeito Devastador das Telas em Crianças e Adolescentes

Por: Jorge Schemes

Resumo:

A era digital trouxe consigo uma enxurrada de benefícios, mas também apresentou novos desafios, especialmente para as gerações mais jovens. O uso excessivo de telas por crianças e adolescentes tem se tornado uma preocupação crescente, com pesquisas recentes demonstrando um impacto devastador em diversos aspectos do desenvolvimento. Este artigo apresenta uma análise abrangente do tema, baseada em pesquisas renomadas, explorando as consequências negativas do tempo excessivo de tela na saúde física, mental e social dos jovens.

Introdução:

Crianças e adolescentes de hoje estão imersos em um mundo saturado de telas, desde smartphones e tablets até computadores e televisões. Essa onipresença da tecnologia, embora ofereça oportunidades de aprendizado e conexão, também acarreta riscos significativos. A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda que crianças menores de 18 meses evitem totalmente o tempo de tela, enquanto crianças entre 18 e 24 meses tenham no máximo uma hora por dia de conteúdo de alta qualidade. Para crianças em idade pré-escolar, o limite sugerido é de duas horas por dia de programas educativos de alta qualidade.

Impactos na Saúde Física:

Impactos na Saúde Mental:

Impactos na Saúde Social:

Conclusão:

O uso excessivo de telas por crianças e adolescentes representa um problema de saúde pública que exige atenção imediata. É fundamental que pais, educadores e profissionais de saúde trabalhem juntos para promover o uso saudável da tecnologia, estabelecendo limites claros de tempo de tela, incentivando atividades físicas e sociais e fornecendo apoio emocional aos jovens. Ao adotarmos uma abordagem abrangente e baseada em evidências, podemos mitigar os efeitos devastadores das telas e promover o desenvolvimento saudável das crianças e adolescentes.

Recomendações:

Considerações Finais:

A tecnologia faz parte integrante de nossas vidas, e as crianças e adolescentes de hoje são nativos digitais. O objetivo não é demonizar a tecnologia, mas sim promover o seu uso consciente e equilibrado. Ao adotarmos as recomendações citadas e investir em uma educação midiática efetiva, podemos criar um ambiente digital saudável que apoie o desenvolvimento integral das futuras gerações.

Referências:

Pediatrics. 2019; 144 (4): e20190618. Uma meta-análise sobre a associação entre tempo de tela e obesidade infantil

Nature Human Behaviour. 2018; 2 (3): 161-167. Associação entre uso de dispositivos eletrônicos antes de dormir e sono em adolescentes

Clinical Psychological Science. 2017; 5 (5): 905-919. [O uso de mídia social e sintomas depressivos em adolescentes]([AU prieur c strutton l 2017 social media use and depression in adolescents clinical psychological science ON American Psychological Association psycnet.apa.org])

Computers in Human Behavior. 2018; 81: 343-352. Relação entre vício em internet, depressão e ansiedade entre adolescentes chineses

PLOS One. 2018; 13 (7): e0196886. Sentimentos de conexão social e uso de mídia social em adolescentes

Educational Psychology. 2019; 40 (1), 1-13. O impacto do uso de dispositivos eletrônicos durante o estudo no desempenho acadêmico de alunos do ensino

Round 6 Se Populariza Entre Crianças e Adolescentes; Segundo Especialistas, Pais Devem Ter Atenção

Apesar de ter o roteiro repleto de brincadeiras infantis, o seriado sul-coreano é marcado pela violência. A popularização do conteúdo entre crianças e adolescentes pode ser prejudicial a sua saúde mental.

"Round 6" estreou em Setembro de 2021 na Netflix (foto: Reprodução/Twitter)

Lançada no último mês de setembro, a série sul-coreana "Round 6" (Squid Game, nome original), já se tornou a mais assistida da plataforma de streaming Netflix, alcançando 111 milhões de perfis de usuários. Apesar do sucesso, a popularização do seriado vem causando preocupação entre pais e escolas. Isso porque mesmo com a classificação indicativa para maiores de 16 anos, muitas crianças e adolescentes com idade abaixo do recomendado assistiram à série.

No Paraná, o Departamento de Justiça da Secretaria de Justiça, Família e Trabalho (Sejuf), por meio do Programa Reconecte Paraná, emitiu um alerta para a Rede de Proteção a Infância recomendando que pais e responsáveis fiquem atentos e orientem os menores quanto ao conteúdo da série. Segundo a Sejuf, mesmo adolescentes de 16 anos podem não possuir características perceptivas, intelectuais e mentais em condições de acessar conteúdos bárbaros como os anunciados, sem prejuízos de várias ordens para a sua integridade mental.

Escolas de Salvador (BA) já haviam emitido um comunicado neste mês, alertando aos pais de que o seriado pode atrair as crianças por ter em seu roteiro brincadeiras populares, mas pode ser extremamente prejudicial a elas pois sua trama é marcada por violência. Na França, na última quarta-feira, 13, cinco crianças foram hospitalizadas após tentarem reproduzir brincadeiras do seriado.

De acordo com o jornal Le Parisien, o acidente aconteceu em uma escola da região da Ilha de França, crianças do sexto ano repetiram um dos jogos de "Round 6" com outras crianças do terceiro ano. A escola teria aberto processo para expulsar três estudantes. O estado das crianças hospitalizadas não foi divulgado.

No Ceará ainda não houve posicionamento das instituições de ensino ou do poder público em relação ao conteúdo de "Round 6". Para a psicopedagoga Gabriela Accioly, esse posicionamento das escolas em relação à exposição das crianças à série é muito importante. Segundo ela, mesmo sendo um papel principalmente da família, a escola tem o dever social de orientar, promovendo debates e diálogos sobre o tema.

Gabriela afirma que é preocupante como as crianças estão tendo alta exposição a telas e acesso à internet cada vez mais cedo. “Essas crianças podem ter problemas com pesadelos, insônia, por não ter maturidade suficiente para diferenciar realidade de ficção. Eu trabalho com crianças que sofrem bullying, por exemplo, e esse tipo de conteúdo pode despertar gatilhos emocionais”, afirma.

Com a popularização da série nas redes sociais, crianças com idade abaixo do recomendado pela classificação indicativa assistiram ou tiveram acesso a algum conteúdo sobre Round 6. “Ouço muitos relatos de crianças que escutam os colegas da escola falando da série, o conteúdo dela já está em jogos também, e essa popularização tem feito com que as informações sobre a série se alastrem”, explica.

A Psicóloga Djanira de Sousa ressalta que as restrições de visualização por classificação etária nos filmes e séries não existem por acaso. “Elas são o resultado da avaliação de especialistas sobre o que pode não ser interessante ou mesmo apropriado para determinadas faixas de desenvolvimento, pois podem ser conteúdos difíceis de serem consumidos de forma saudável para crianças e adolescentes”, explica.

Djanira orienta que proibir talvez não tenha tanto efeito. Por isso, é importante que a família construa um canal de comunicação com os filhos e converse sobre o que é adequado e saudável para a idade deles. Além de aproveitar a situação para pensar em alternativas de diversão e lazer, refletindo juntos sobre possibilidades de escolhas e de outras opções que sejam interessantes para as crianças e para a família.

Entretanto, a psicóloga afirma que os limites devem ser estabelecidos de modo firme e seguro pelos pais, além disso, precisam estar claros para as crianças e adolescentes. Ela explica ainda que o fato de assistirem cenas impactantes de violência não fará com que crianças e adolescentes se tornem pessoas violentas ou com personalidades perversas. No entanto, quando ainda pequenas, elas não desenvolveram recursos cognitivos e emocionais para compreenderem adequadamente algumas situações que envolvem morte, suicídio, crueldade, dentre outros.

Para Djanira, devido ao contexto da Pandemia de Covid-19 e as medidas de distanciamento, isolamento e restrições de contatos sociais, profissionais e escolares, é importante supervisionar e cuidar daquilo que as crianças e adolescentes estão entrando em contato para não agravar sentimentos negativos como fragilidade, ansiedade, angústia e tristeza, que já atinge tanto os adultos quanto as crianças e adolescentes.

Fonte: O Povo


China e a Cruzada Contra o Vício Digital dos Jovens

China limita acesso a versão local do TikTok por menores a 40 minutos por dia, após impor restrição de apenas 3 horas de games nos fins de semana

A China está devotada a expurgar o "vício digital" de sua população jovem, após perceber que a abertura dada ao setor tecnológico nos últimos anos, visto pelo governo como uma forma de engordar o caixa, gerou conflitos com a ideologia do Partido Comunista, liderado pelo presidente Xi Jinping.

Além de Pequim apertar fortemente a coleira no pescoço de gigantes como Tencent, Alibaba e outras, restrições pesadas ao acesso de apps e games vêm sendo impostas a menores de idade, a fim de evitar que estes se tornem cidadãos improdutivos para o País do Meio. O alvo mais recente foi a ByteDance, empresa responsável pelo TikTok.

Em uma nota publicada recentemente em seu blog na China, a companhia anunciou um novo modo de uso para o Douyin, a versão local e original do TikTok, chamado "Modo Jovem". Ele funciona em acordo com as determinações do governo, que implementou em 2020 um sistema de identificação digital, obrigatório para todos os cidadãos conectados.

Usuários identificados pelo app como menores de idade, que devem ser registrados sob observância dos pais, só poderão usar o Douyin por 40 minutos diários, sem contar que parte do conteúdo disponibilizado para consumo terá curadoria com cunho educacional, exibindo vídeos sobre experimentos científicos, exibições em museus e galerias, e paisagens naturais da China.

Desnecessário dizer que como toda rede social no ar na China, as publicações são moderadas por agentes do governo, que derrubam qualquer tipo de "conteúdo indesejável" em dois tempos.

A ByteDance se diz atenta para os casos de usuários jovens que estão usando meios para burlar o sistema de autenticação, a fim de se livrar das limitações de uso em apps e games. Para evitar isso, e ao mesmo tempo se manter alinhada com Pequim, a empresa introduziu um programa que recompensará usuários que relatarem vulnerabilidades e bugs, com vales-compra no valor de ¥ 2.000 (~R$ 1.642,16, cotação de 20/09/2021).

A onda de restrições ao acesso à internet, jogos digitais e redes sociais por menores de idade na China é visto como um ajuste do governo às permissividades concedidas ao mercado na última década. A Grande Abertura, uma série de reformas sociais e econômicas iniciadas em 1978, no governo do premiê Deng Xiaoping, permitiram ao país se modernizar e deixar de ser uma nação essencialmente agrícola, uma consequência direta do Maoísmo.

Em 2010, a China passou o Japão e se tornou a 2ª maior potência econômica do mundo, posto que ocupa até o momento, mas é preciso lembrar que no papel, o país ainda é uma nação comunista, embora tenha se tornado forte ao usar as ferramentas do capitalismo ao seu favor. O problema é que para a nação crescer, foi preciso estabelecer áreas de livre mercado, o que levou ao surgimento das grandes companhias privadas.

Focando exclusivamente no mercado digital voltado a crianças e jovens, a China permaneceu por muito tempo resistente à ideia de jogos digitais em consoles, tanto que entre 2000 e 2014, eles foram completamente banidos do país. Jogos em PC sempre foram relevados, bem como o uso de internet e redes sociais, até o momento em que o vício digital em menores começou a incomodar as autoridades.

Não é preciso ir muito longe para entender o que acontece. Por seguir oficialmente a cartilha socialista, todos sem exceção têm a obrigação de trabalhar em prol do Estado, onde tudo deveria ser de todos e para todos. Companhias como a Tencent, uma das maiores empresas de games do mundo, se não a maior, e a própria ByteDance, dona do Douyin/TikTok, entre outras voltadas a e-commerce (Alibaba), busca e IA (Baidu) e locomoção (DiDi), fizeram muito dinheiro na última década, elevando seus CEOs e executivos ao status de "celebridades", o que o governo entendeu como uma afronta à ideologia nacional.

Com isso, a administração do premiê Xi Jinping tinha argumentos suficientes para enquadrar as gigantes tech, com inúmeros processos e intervenções, de modo a impor um realinhamento doutrinário a elas. Ao mesmo tempo, havia o "dano colateral" a ser lidado, que era forçar a juventude viciada em jogos, apps e redes sociais, a focarem novamente em seus estudos e se tornarem cidadãos produtivos no futuro, pelo bem do Estado.

Garotos jogam Honor of Kings, jogo mobile distribuído pela Tencent, durante evento em Shopping Center na China
Foto: Reuters / Meio Bit

No início de 2020, a lei que impôs o login digital havia também determinado um tempo limite que seria permitido menores de idade passarem em jogos, que originalmente era de 90 minutos por dia, e de 3 horas nos fins de semana e feriados, sendo proibido o login entre 22:00 e 8:00 do dia seguinte. O acesso a microtransações também era limitado conforme a idade, em que menores de 8 anos eram completamente vedados a fazerem compras internas em games.

Só que Pequim decidiu que essas regras eram brandas demais, e desde o dia 1º de setembro, desceu a foice e o martelo com força: o tempo de jogo para qualquer um com menos de 18 anos passou a ser de míseras 3 horas por semana, apenas nas sextas-feiras, sábados, domingos e feriados, e em uma janela pré-determinada, entre as 20:00 e 21:00.

Paralelamente, o governo mantém o que chama de "bases para o desenvolvimento mental da juventude chinesa", um nome bonitinho para centros de reabilitação para viciados em internet e jogos digitais. Voltado para jovens adultos, eles foram centro de polêmica quando um interno de 18 anos morreu em 2017, com indícios de ter passado por vários graus de agressão física. A unidade em questão foi fechada pelo governo e seus responsáveis presos, de acordo com a rede estatal CCTV, por suposto abuso de autoridade.

Os campos, cuja gestão pode ficar a cargo de hospitais públicos ou empresas privadas, oficialmente usam acompanhamento psicológico e treinamentos físicos para diminuir o vício em games e internet dos jovens, mas especialistas dizem que as instalações são uma fachada para campos de reeducação ideológica, basicamente quartéis; a meta seria reabilitar "chineses problemáticos" e realinhá-los ao pensamento coletivo, até por ser público o regimento estritamente militar desses centros.

Vale lembrar que as restrições de uso de apps e games, com limites de dias e horários, não se aplicam a maiores de idade, mas o "exagero" por estes, ao ponto do vício digital, também não é tolerado pelo governo chinês, o que para Pequim justifica a existência e manutenção dos campos de reabilitação.

Jovens passam por treinamento em centro de reabilitação para viciados em internet e games em Pequim, em foto de 2014
Foto: Reuters / Meio Bit

A totalidade das empresas tech foi forçada a entrar na linha, e hoje endossam as modificações apresentadas pelo governo sem questionar (era isso ou mais processos). Para os jovens chineses, igualmente não há alternativas a não ser seguirem a cartilha, diminuírem o uso da internet e jogos, consumirem o que o Estado diz que é saudável, andar na linha para não cair na lista de indesejáveis, e por fim estudarem e trabalharem muito para o crescimento da República Popular da China, do jeito que o ursi-, digo, o premiê Xi gosta.

Fonte: The Next Web

Fonte: China e a cruzada contra o vício digital dos jovens

Fonte: Terra

Chefe do Instagram Compara Danos Mentais Causados pelo Instagram aos Acidentes de Carro

 Redes sociais perigosas? Líder do Instagram compara-as com carros.

“Tudo o que for usado em escala terá resultados positivos e negativos. Carros têm resultados positivos e negativos". disse o executivo. (Paul Morris/Getty Images)

Adam Mosseri não se mostrou preocupado com as conclusões da investigação interna do Instagram.


O responsável pelo Instagram, Adam Mosseri, foi entrevistado no podcast Recode Media (via Mashable) e, entre os temas abordados, esteve a investigação interna da empresa (partilhada pelo Wall Street Journal) e as suas conclusões sobre os danos causados à saúde mental de adolescentes.

Mosseri não pareceu preocupado com o assunto e comparou as redes sociais com carros, notando que é normal que de vez em quando haja acidentes. “Sabemos que morrem mais pessoas com carros, mas os carros acrescentam valor ao mundo do que o que retiram. E penso que as redes sociais são semelhantes”, afirmou Mosseri.

Em resposta, a entrevistadora apontou que os carros são hoje em dia sujeitos a regulamentação, algo que não acontece com as redes sociais. Do seu lado, Mosseri declarou que a regulamentação das redes sociais é bem-vinda, notando todavia que por vezes cria mais problemas do que aqueles que solucionam.

Fonte: Notícias ao Minuto

Chefe do Instagram é criticado por comparação entre carros e redes sociais.

Adam Mosseri fez a afirmação depois de matérias no The Wall Street Journal afirmarem que alguns usuários foram afetados de forma negativa pela plataforma.


Uma série de reportagens do The Wall Street Journal mostrou, recentemente, que o Facebook tem dados que mostram que o Instagram torna a vida de alguns de seus usuários pior — garotas adolescentes, por exemplo. As matérias foram feitas com base em dados vazados ao jornal e mostram, em resumo, que a plataforma está ciente dos efeitos negativos — como depressão e ansiedade — que é capaz de causar, na pressão pela "vida perfeita".

Em resposta a esses questionamentos, o CEO do Instagram, Adam Mosseri, fez uma afirmação polêmica recentemente ao podcast Recode Media, em que afirma que há similariedade entre redes sociais e carros.

"Acredito que qualquer coisa que for usada em escala terá resultados positivos e negativos. Carros têm resultados positivos e negativos. Nós entendemos isso. Sabemos que mais pessoas acabam morrendo porque existem acidentes de carro. Mas em geral, os carros criam muito mais valor no mundo do que destroem. E eu acho que as redes sociais são similares", disse Mosseri.

A fala aconteceu depois de o apresentador do podcast, Peter Kafka, perguntar ao executivo se a rede social deveria ser restringida, caso houvesse um risco de prejudicar a vida das pessoas assim como o cigarro faz. Em resposta, Mosseri se posicionou abertamente contra, defendendo que as redes sociais ofereceriam mais vantagens.

“Absolutamente não, e eu realmente não concordo com a comparação com drogas ou cigarros, que têm vantagens muito limitadas, se houver”, disse Mosseri.

Ainda na entrevista, Mosseri afirma acreditar que alguma regulação é necessária sobre o setor -- ainda seguindo as analogias apresentadas no podcast -- mas que é necessário regular redes sociais, porque isso poderia causar ainda mais problemas.

Instagram e Saúde Mental

Todas as falas surgiram depois de uma reportagem do The Wall Street Journal mostrar, a partir de arquivos internos enviados ao veículo, que o Instagram sabe o quão mal a ferramenta pode fazer a adolescentes. Em um trecho destacado pelo veículo, slides contêm as afirmações: "Uma em cada cinco adolescentes afirma que o Instagram as faz sentir pior sobre si mesmas, com as britânicas tendo o sentimento mais negativo" e "Jovens culpam o Instagram pelo aumento da taxa de ansiedade e depressão", afirma outro.

Os resultados dessas pesquisas, segundo o WSJ, foram obtidos após uma pesquisa de 18 meses, em uma dinâmica chamada de "mergulho profundo na saúde mental dos adolescentes". Além dos resultados apresentados, os pesquisadores também concluíram que alguns dos problemas com os quais os jovens lidavam não eram das redes sociais em geral, mas sim específicos do Instagram.

"Enquanto o TikTok está relacionado a uma percepção de desempenho e o snapchat chama a atenção para os filtros no rosto, o Instagram se concentra fortemente no corpo e no estilo de vida", diz a reportagem.

Os resultados estão em linha com uma pesquisa divulgada em 2017, que mostrou que o Instagram era a rede social mais nociva para a saúde mental. Na época, a pesquisa foi realizada pela instituição de saúde pública do Reino Unido, Royal Society for Public Health, em parceria com o Movimento de Saúde Jovem.

Os resultados mostraram que 90% das pessoas entre 14 e 24 anos usam redes sociais – mais do que qualquer outro grupo etário, o que os torna ainda mais vulneráveis a seus efeitos colaterais.Sete em cada 10 voluntários disseram que o app fez com que eles se sentissem pior em relação à própria autoimagem.

O que o Instagram tem a dizer?

Recentemente, o Facebook anunciou algumas medidas para melhorar a saúde mental dos usuários, como retirar o número de curtidas de cada publicação. Mas, ainda assim, a plataforma ainda não havia feito nenhum tipo de pronunciamento a respeito de como os usuários se sentiam tão pior do que em outras redes sociais dentro da plataforma.

Em resposta à matéria do The Wall Street Journal, Karina Newton, chefe de Políticas Públicas do Instagram, defendeu a pesquisa e afirmou que ela representa um compromisso da rede social em lidar com questões difíceis. "Isso demonstra nosso compromisso com a compreensão de questões complexas com as quais os jovens podem lutar e a pesquisa informa todo o trabalho que fazemos para ajudar aqueles que estão enfrentando essas questões".

Ainda no pronunciamento, a executiva afirma que a plataforma está "cautelosamente otimista" de que essas descobertas ajudarão a plataforma a direcionar as pessoas para o conteúdo que as "inspira e eleva, o que, em maior medida, pode mudar a cultura do Instagram centrada na aparência das pessoas".

Correção: este texto foi atualizado na sexta-feira, 17, às 12h03 para deixar claro os termos utilizados por Adam Mosseri em sua declaração ao podcast Recode Media.

Fonte: Exame